sexta-feira, 17 de junho de 2011

In the city of blinding lights

As noites são, em especial, um espetáculo para mim. Tenho uma espécie de tara – no melhor sentido da palavra, se é que existe algum – por luzes e pelos contrastes que elas compõem. Da sacada do meu apartamento ou do agito da Faria Lima às 19h, as luzes de São Paulo são tão intensas e tão sequenciais que eu acredito fielmente que nunca vou me cansar disso, ou me cansar daqui.

Ontem, enquanto eu voltava para casa depois do trabalho, a demora e o engarrafamento não me incomodaram, e eu tive a genuína impressão de que todas as pessoas nos carros ao meu redor se sentiam da mesma forma. O clima extremamente agradável e a lua cheia – que parece ter sido feita sob medida para essa cidade - estavam na mais absoluta consonância com a trilha sonora – Adele, Adele, Adele! – e foi aí então que eu decidi que o meu primeiro post seria sobre São Paulo. Nada mais justo do que homenagear o lugar que da noite para o dia se tornou o novo amor da minha vida, após uma sucessão de acontecimentos muito turbulentos que, felizmente, me fizeram mudar para a melhor e para o melhor.

Já me disseram que com São Paulo não existe meio termo. Ou você se apaixona no instante em que pisa aqui pela primeira vez ou você simplesmente não gosta da cidade e nunca vai gostar. Como vocês já devem imaginar, me encaixo no primeiro caso. Eu já estive aqui em outras ocasiões, mas em excursões escolares de quando você tinha 14 anos e não sabia diferenciar Pinacoteca de Museu Ipiranga, Van Gogh de Monet, vinho de keep cooler, você não consegue captar de fato a essência de cada lugar. Muito menos quando você vem para tirar seu visto americano no consulado mais lotado do país, morrendo de medo que te achem parecida com uma das 87 esposas do Osama Bin Laden e neguem a sua solicitação. Foi apenas em minha última e recente viagem a SP que eu fui definitivamente hipnotizada pela cidade brasileira das blinding lights.

Apesar de ser jornalista e de conhecer a Teoria das Representações Sociais – graças a um TCC que rendeu dores de cabeça a todo o Corpo Docente da universidade onde me formei -, eu estava muito habituada com a ideia de que SP era, sobretudo, o caos em tantos segmentos da vida em sociedade que seria impossível realmente querer se mudar para cá. Como a maioria das notícias se pauta na violência, na poluição e no trânsito caótico, eu me surpreendi muito com a sensação que me invadiu quando, em um final de tarde, eu desci do metrô no terminal Consolação, na Av. Paulista. Eu olhei para aqueles prédios tão diferentes e tão iguais entre si, iluminados sobretudo pela luz da lua, e a cena era tão encantadora que durante um bom tempo eu sequer me dei em conta que daqui nós não podemos ver as estrelas. Aquelas imagens foram, para mim, uma sequencia quase irreal dos instantes decisivos de Henri Cartier Bresson.

Para mentes inquietas, SP é um estímulo que não termina. A cada esquina que você vira, cada rua que você descobre, cada café que você entra, existe alguma coisa interessante de se conhecer. As pessoas aqui são extremamente solícitas e educadas, mesmo quando a pressa impede que a conversa se alongue. Você pode andar de carro durante horas a fio e dificilmente passa duas vezes no mesmo lugar, e quando passa, parece que as coisas já estão um pouco diferentes. Existe uma simetria assimétrica em SP, uma harmonia desarmônica, um conjunto tão grande de contrastes e paradoxos que fazem daqui um lugar único e, para mim, muito especial. Evidentemente que talvez eu me sinta dessa forma porque, para mim, estar aqui representa uma ruptura em muitos aspectos e eu precisava disso em todos esses aspectos. Mas o fato é que me mudar para essa cidade acrescentou algo em mim que eu não tinha, em categorias onde eu já me considerava completa. Por isso, Dear São Paulo, estou aqui para dizer, sem analogias ou metáforas vagas, que eu amo você.

6 comentários:

  1. Admirável Karis. São Paulo é sim tudo isso que você tão poeticamente colocou em sua matéria. Porém, pelo que já conheço de você, você nada mais viu do que a sua imagem refletida na cidade. Toda essa luz é sua. São pessoas como você que fazem o encanto dessa cidade. Seja bem-vinda!

    ResponderExcluir
  2. òtimo, fiquei imaginando São Paulo.

    ResponderExcluir
  3. Concordo com "Educasat". Não há lugar no mundo que não seja especial se, nele, existem pessoas especiais.
    Vi muito pouco de São Paulo até hoje e, certamente por esse motivo, não me encantei. Mas lendo seu post, posso dizer que tive uma sensação parecida com a que tive há alguns anos atrás numa madrugada em Time Square. E quem estava lá comigo?
    Parabéns São Paulo que ganhou mais uma luz!

    ResponderExcluir
  4. Ahhhhh Dona Karis.. muito bommm seu blog, São Paulo é bem a sua cara mesmo.... Curitiba é pequena pra você.. mesmo assim quero que você escreva um post sobre sua passada por aqui... pode ser pra comentar o lado bommm dessa passada.... Se cuideee... Bjooo

    Robson - Invente

    ResponderExcluir
  5. Teu texto me fez ter vontade de ir correndo pra São Paulo! E assim que eu tiver férias, vou sim! Amei, muito bem escrito! Beijo!

    ResponderExcluir
  6. Amor, adorei o seu post sobre São Paulo! Ao ler cada linha acima, pude relembrar o seu entusiasmo pelo jornalismo, ainda no início da faculdade. A Karis que não se contentava apenas em escrever bem, mas queria escrever com equilíbrio, saber utilizar com propriedade a sensibilidade e o objetivismo de um Gabriel Garcia Marques. Estou orgulhosa de ti, você está no caminho certo! Beijos, te amo!

    ResponderExcluir