Minhas últimas semanas aqui em São Paulo têm sido tão intensas e divertidas quanto as primeiras... apesar de quase todos os jornalistas levantarem a bandeira do “quer ganhar bem, não seja jornalista” ou “jornalista é sempre escravizado” existe, sim, um leque – nossa, quem fala leque?!? – muito grande de vantagens e possibilidades àqueles que escolheram a profissão das palavras. E dos sons. E das imagens. E das vozes.
Não se iludam. Sou, sim, apaixonada pelo jornalismo, mas o meu amor por São Paulo, por exemplo, e por carboidratos, é muito maior. Mas ultimamente escrever – por mais que eu tenha abandonado o blog por uns tempos – tem me deixado muito feliz. Escrever e observar. Tenho uma grande – uma das melhores e mais incríveis jornalistas que conheci na faculdade – amiga aqui em São Paulo, a Gabriela Forlin, que precisou fazer algumas resenhas de bares e baladas para o portal do Estadão (e viva o cartão corporativo!). Eu, como boa companheira de classe desde os primórdios anos de 2006, fui acompanhá-la e vou relatar aqui as nossas (deliciosas) experiências.
Começamos o trabalho com o pé direito. Na verdade, até o esquerdo se converteu e virou do bem, porque nossa primeira parada foi no bar KiaOra. Era uma quarta-feira super agradável e a gente simplesmente estava naquela vibe do Sílvio Santos (ritmoooo, é ritmooo de festa). O lugar é sensacional, por alguns detalhes muito pontuais: gente bonita, música boa, ambiente agradável. Tradicionalmente, pelo comentários que ouvi, as noites de quinta são as mais agitadas, então, naquele dia, apesar de haver muitas pessoas, a gente conseguia ter mobilidade física (detesto estar em um lugar onde eu me sinta pegando o metrô na estação Sé às 8h da manhã). E quando você esbarra em alguém, você esbarra em pessoas bonitas, bem arrumadas, mesmo que sob os mais diferentes estilos e gostos. Tem gente de terno e gravata, gente de pólo, gente de camiseta, gente de vestido, gente de calça. E, sobretudo, gente com vontade de esquecer o chefe tirano, a prova da faculdade, a fatura do cartão de crédito e divertir.
Sabe quando você para para observar as cenas e ouvir os sons a sua volta e estes sons são de várias conversas simultâneas, com risadas altas e assimétricas? E mesmo assim existe uma profunda – e paradoxal - harmonia no ambiente? É assim que eu resumo o bar. O som é ao vivo; um cantor e um violão agitam a galera mesmo quando toca Flake, do Jack Johnson, ou alguma música ainda mais lenta. A decoração é clean sem deixar de ser sofisticada e a iluminação te coloca no clima sem te fazer ficar no escuro. O cardápio é bastante variado, com cervejas de vários países e muitas opções de pratos aparentemente muito apetitosos... nosso pedido ficou restrito a uma generosa porção de nachos, que eu sequer experimentei, já que estava muito ocupada saboreando um copo mais comprido que a Coluna Prestes da cerveja alemã Erdinger, que eu nunca tinha tomado. A top one na minha lista sempre foi a Dos Equis, do México, mas preciso confessar que a Erdinger conquistou meu coração. Claro que eu fiquei mal no dia seguinte, afinal, quem bebeu Skol a vida inteira não tem lá um fígado muito bem preparado.
Em suma, aquela quarta-feira me deixou mais apaixonada ainda por São Paulo e foi o ponto de partida para outras noites que se seguiram em outros bares, como o Wall Street Bar, que, originalmente, não estava na nossa lista e foi um agradável desvio de percurso. A característica mais incrível do Wall Street é o sistema adotado para o preço das bebidas, que obedecem à lógica proposta pelo nosso querido Adam Smith e hoje em dia consolidada em todas as bolsas de valores do mundo. As bebidas mais pedidas – e, em consequência, valorizadas – ficam mais caras no decorrer na noite, enquanto as menos pedidas sofrem desvalorização e se tornam mais baratas. Uma tela digital que contorna todo o ambiente (nos dois pisos) informa as oscilações e há um computador em cada mesa por onde os pedidos podem ser feitos sem ser necessário esperar o garçom. É muito prático, rápido e divertido. Não acho o local ideal para paquerar, mas sem duvidas o Wall Street é o um ambiente excelente para comemorar aniversários, fazer despedidas, happy hours, sair com uma turma de amigos com a finalidade de dar risadas e apreciar boa comida e boas, muito boas, bebidas. Ah sim, e só tem gente bonita, mesmo. Praticamente fechamos o lugar, junto com os garçons.
Na sexta-feira o ritmo de festa continuava e o nosso destino foi o bar latino Rey Castro. Como eu fui mexicana na minha última encarnação, não preciso nem dizer que amei o lugar praticamente mais do que eu amo o novo álbum da Adele. Por mais que o bar se defina como cubano, as características também são do Peru, do México, da Colômbia, da Venezuela... Mesmo que a música fosse horrível e eles não vendessem Erdinger (sim, virei fã) o lugar ganha você pelo clima e pela decoração. Quem aprecia ambientes calientes, com tema bem definido, pouca luz, certamente vai se apaixonar pela casa, que começa a encher depois da meia noite. O Rey Castro é... sedutor. Para animar a galera, uma dupla (ou banda) embala músicas de cantores latinos tradicionais com habilidade tal que conseguem captar toda a inspiração dos artistas originais. E as músicas que não são latinas se tornam latinas, ou seja, não se surpreenda se escutar Beyoncé no ritmo de Corazón Partido. Americanos, argentinos, peruanos fazem parte do público do local. (Nota: Querida Yana, pensei muito em ti lá! Irias arrasar os corações do povo!)
Na outra semana, após uma parada – eventualmente foi preciso retomar as nossas atividades diárias como trabalhar, comer, atender o telefone, caminhar sob a luz do sol e coisas do gênero – de alguns dias, fomos ao O’ malleys, um pub irlandês que literalmente faz com que você se sinta em Dublin. Eu nunca fui à Irlanda, mas a sensação que dá quando você entra no bar é justamente essa: “minhas preces foram atendidas e eu adquiri poderes de teletransporte e cheguei em Dublin pela força do pensamento”. É exatamente como vemos nos filmes, a decoração, os banheiros, as cervejas. O lugar é legal para quase tudo: comer, beber, paquerar, fazer happy hour, ver jogos de futebol ou outros torneios internacionais que eles transmitem e se divertir com amigos.
Ficamos algumas horas lá (muitas, muitas gargalhadas) e na seguida atravessamos a rua em direção ao Squat, outro bar suuuuper legal que ganha de todos os outros em um detalhe muito importante: atendimento. Mesmo antes de falarmos que éramos jornalistas, fomos extremamente bem atendidas e nos sentimos muito à vontade. Nota dez para o mojito (não façam como eu fiz, por favor apreciem com moderação) e para a sobremesa de churros com sorvete (só para constar, havíamos comido batatas fritas com queijo cheddar e bacon no O’malleys, mas ninguém comenta, ok?). No Squat você pode dançar, paquerar, comemorar aniversários (eles têm área reservada para vips) e sem dúvidas encontrar gente bonita (tá todo mundo em SP é bonito!) e música boa.
Para encerrar nossa temporada de festas, na quinta, já com algumas habilidades físicas e emocionais comprometidas, saímos de SP e paramos no Texas! Bom, pelo menos é assim que a casa de música sertaneja “Villa Country” se posiciona no mercado. E é, de fato, como se você entrasse em outro país. Como na minha encarnação anterior à encarnação de mexicana eu fui fazendeira – Rainha do Gado –, eu sou fã de carteirinha de música sertaneja, chapéu, camisa xadrez e ambientes rústicos, e eu dou nota 10 para o Villa meeesmo! São vários ambientes que agradam todos os tipos de gostos (banda, dupla, violão, pista, bar, dançar agarrado, dançar sozinho, camarote, mesa) e muita, mas muita gente! Como eu já estava um pouco cansada das últimas noites, meu alterego antipático– sim, eu tenho um -, tomou conta de mim quando um guri, insistentemente, tentou dançar comigo. Ele chega, com cara de malandro, me olha (eu carregando duas bolsas e duas garrafas de água, enquanto minha amiga era seduzida por um cara que queria levá-la para Uberaba) e diz:
- Oooii, quer dançar?
- Não, estou aqui à trabalho.
- Quer whisky?
- Não, não vou beber hoje.
- Quer energético?
- Não, vou ficar na água mesmo.
- Você é do sul, né?
- Sim.
- Uia sangue ruim, hein?
Como se não bastasse esta falta de delicadeza, eu, comprovando a Lei de Murphy, encontrei o guri inúmeras vezes naquela noite. E em todas as vezes ele me olhava com uma expressão de duende do mal que dizia: -Sangueee ruimmmm!!!
Para finalizar a nossa balada, enquanto um guri de 20 cm de altura tentava, como vários outros, seduzir a minha amiga, um rapaz muito ousado se aproxima e fala:
- Moça, que batom horrível! Quer que eu te ajude a tirar?
Eu, supresa com tamanha sinceridade, e com um pouco de medo, já que ele olhava fixamente para o meu batom, falei:
- NÃO.
Ele, nada incomodado com a resposta, levanta a cabeça, me olha serenamente e diz:
- Tá, mas o batom... é feio mesmo.
Bom, enfim, sabemos então que no Villa Country a minha audiência é baixa, mas, apesar de todos estes eventos, amei a noite. Consegui impedir que a minha amiga fosse sequestrada e levada a Uberada e conhecemos várias pessoas legais. Dançamos muito, rimos muito, bebemos pouco (finalmente) e sem dúvidas aguardamos ansionamente a nossa próxima viagem ao Texas.
Então, gente, eu descobri que ser jornalista é muito melhor do que eu esperava na época da faculdade. Aquele papo de fazer o que se gosta... não é que é verdade mesmo?
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